Cidades
Quando a independência vale uma secretaria: vereadores devem trocar fiscalização por cargos?

A política de Palmeira dos Índios vive mais um daqueles momentos que fazem a população se perguntar: afinal, os vereadores estão a serviço do povo ou dos próprios interesses? Após três meses de intensa tensão entre a Câmara Municipal — especialmente o grupo conhecido como G12 — e a Prefeitura, liderada pela prefeita Luísa Duarte (PSB), um “acordo de paz” foi selado. Mas, ao que tudo indica, o preço foi alto: a independência legislativa foi trocada por espaços no Executivo.
O enredo não é novo, mas segue indignando: vereadores que, até então, faziam discursos inflamados, cobrando transparência, moralidade e autonomia, agora recuam em silêncio após suas indicações assumirem secretarias estratégicas na gestão municipal. A prefeita, que prometeu um secretariado técnico, isento de influências políticas, exonerou em menos de três meses sua equipe original para acomodar interesses partidários e parlamentares.
A caneta da chefe do Executivo atendeu diretamente aos apelos do G12, grupo de maioria na Câmara, e que, até então, vinha travando uma queda de braço com o governo municipal. As secretarias agora ocupadas por indicados dos vereadores representam moeda de troca em um jogo onde a fiscalização perde espaço para a conveniência política.
O Secretário de Governo, Júlio César, foi peça chave na costura do novo arranjo. Segundo fontes internas, ele atuou como o principal articulador do acordo, que teve como contrapartida o apaziguamento das críticas na Câmara e o engavetamento de requerimentos sensíveis, como os pedidos de convocação de secretários e a exigência de prestação de contas sobre os R$ 100 milhões da venda da Casal, além de denúncias relacionadas à omissão no repasse do Pasep.
O que está em jogo, porém, vai além da articulação política: trata-se da própria função constitucional do vereador, que deveria representar os interesses do povo, fiscalizar o Executivo e propor soluções para os problemas da cidade. Quando essa missão é trocada por nomeações em cargos comissionados, quem perde é a população de Palmeira dos Índios.
A pergunta que paira no ar — e que o povo deve responder nas ruas e, futuramente, nas urnas — é simples: vereadores que abrem mão da sua independência para se tornarem braços do Executivo merecem nosso apoio? Ou será que estamos diante de mais um capítulo da velha política, onde a ética e o interesse coletivo são substituídos por acordos de conveniência?
Enquanto isso, o povo segue aguardando respostas — nas filas dos postos de saúde, nas escolas sucateadas, nas ruas esburacadas. E quem deveria cobrar por essas respostas, agora, ocupa salas com ar-condicionado, nomeando cargos e posando para fotos em cerimônias de posse.
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